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Não pude dizer adeus.

  • Foto do escritor: Psicóloga Dra Hellen Castro
    Psicóloga Dra Hellen Castro
  • 9 de mar. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 13 de set. de 2022

Diariamente o Brasil tem registrado mais de 200 mortes por COVID-19. E estes números vem crescendo cada vez mais, muitas vezes, nos fazendo sentir refém de um vírus, que é invisível aos olhos. Tendo o número de mortes aumentado diariamente, também é bastante grande o número de pessoas afetadas pela dor de ter perdido alguém.


É fato que nós, seres humanos, fazemos uso dos ritos de passagem para elaboração da finalização de uma fase da vida para início de uma nova. Exemplos clássicos de ritos de passagem são aniversários, formaturas, casamentos, bodas de prata, etc. Segundo Rivière, os ritos de passagem – no caso da morte podemos citar o velório e enterro – são elementos que nos auxiliam a elaborar mentalmente fortes cargas emocionais. Se em meio a pandemia os velórios não são permitidos, como seria passar pelas fases luto já tão difíceis em situações normais?

Lidar com a morte é algo que traz diversas sensações: medo, ansiedade, saudade, tristeza profunda, por vezes até mesmo raiva por ter pedido um ente tão próximo e querido. Alguns destes sentimentos são oriundos de algo que, segundo a psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kübler-Ross, são denominadas fases do luto. O luto é compreendido por 5 fases: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Esta nova forma de ter que lidar com a morte pode impactar significativamente a estrutura emocional de quem perde alguém e, por ser uma situação atípica, pode ser algo que influencie diretamente na forma como a pessoa lida com as próximas fases da vida. Existem algumas alternativas que podem ajudar a passar pelas fases do luto, chegando a aceitação e podendo seguir de forma emocionalmente saudável após este ciclo da vida.

  1. Faça um velório simbólico, reserve um tempo para pensar na pessoa, lembrar de situações marcantes que vivenciou com ela. Pode fazer isso utilizando fotos e lembranças materiais que te lembrem a pessoa. Estar conectada com a pessoa, através de algo físico ajuda a elaborar a ausência do corpo que você não pôde ter por falta do velório.

  2. Converse com pessoas que também tinham carinho pelo ente querido que se foi. Receber carinho de pessoas queridas e compartilhar momentos ajuda a aliviar a dor. Falar sobre o assunto, trazer à tona memórias boas, ajuda a mente a elaborar os sentimentos e dar novo sentido ao acontecimento.

Vale ressaltar que quando se percebe que o luto tem demorado a passar ou tem sido extremamente difícil de lidar, torna-se essencial a busca por ajuda de um psicólogo, que é o profissional mais indicado para qualquer tipo de questões emocionais.


Referências:


BASSO, Lissia Ana e WAINER, Ricardo. Luto e perdas repentinas: contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental. Rev. bras.ter. cogn. [online]. 2011, vol.7, n.1 [citado 2020-04-24], pp. 35-43 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872011000100007&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1808-5687.

Kuble r-Ross E. Sobre a morte e o morrer. Rio de Janeiro: Editora Martins Fontes; 1985.

Rivière, C. (1997). Os ritos profanos. Petrópolis: Vozes. [ Links ].

SOUZA, Christiane Pantoja de and SOUZA, Airle Miranda de. Rituais Fúnebres no Processo do Luto: Significados e Funções. Psic.: Teor. e Pesq. [online]. 2019, vol.35 [cited 2020-04-24], e35412. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722019000100509&lng=en&nrm=iso>. Epub July 04, 2019. ISSN 0102-3772. https://doi.org/10.1590/0102.3772e35412.

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